Durmo mais do que deveria
Ás vezes a culpa de dormir e deixar a vida passar, pesa
E não durmo quando preciso
Bebo deveras e fumo quase como respiro
Tenho sempre a dor de barriga da bebida quente
Amanheço com hematomas que nunca sei como surgiram
Como quando sinto que não dá mais pra ficar sem
Beijo bocas desconhecidas
Solto um sorriso bobo de canto quando alguém me encanta
Encantos que duram menos que a vida de uma mosca
Morro quase todos os dias e renasço com o abraço de um amigo
Sinto saudade de casa
Da mãe, da vó, da comida
Da gritaria, da confusão compartilhada
Me apaixono raramente por pessoas
Mas por pássaros, todo dia
Ando esquecendo de pintar as unhas ou remover o esmalte gasto
Ainda coloco fogo nas coisas pra ver a tal ação
E a vida ainda continua fria, cheia de acontecimentos
Mas sempre fria
Tenho os desenhos antigos que não sei mais pintar
Tenho a música e a poesia infinita
Essa poesia que não existe aqui
Aqui, só a vida
Agora.