quinta-feira, 6 de março de 2014


Cuiabá, 05 de Março de 2014

Paola,


acorde ouvindo Belchior, cante “A Palo Seco” e grite os “vinte e cinco anos de sonhos”.
Se a melancolia acordar junto, faça um café, trague um cigarro e se lembra do menino  soltando pipa no dia anterior.
Se arrume pra trabalhar e fale até seu corpo sentir que por mais que você ainda tenha o que dizer, é preciso parar. Se lembre que é precioso demais o que sai da boca com um empurrãozinho do coração.
Não espere mais nada além de um abraço no meio do dia e uma garrafa de cerveja à noite.
Procure uma cadeira, faça as velhas piadas idiotas que se tornam repetitivas na boca dos seus amigos e solte uma gargalhada vendo como eles são bobos.
Se lembre novamente do menino soltando pipa e se levante pra dançar.
Sim, eu sei que nenhum menino apareceu soltando pipa, mas ninguém disse que ele não pode existir. E talvez a bagunça de azuis no céu te lembre um dia qualquer em que você sorriu. E talvez o dançar da pipa te lembre um outro dia qualquer em que dançar te fez mais livre do que qualquer decisão tomada. Porque, talvez, também, dançar sozinha não seja tão solitário assim e rodopiar ouvindo uma música ruim seja a única lição que a vida queira dar.
Se lembre do menino, do azul e nunca, nunca pare de dançar.


“vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. “

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