terça-feira, 28 de janeiro de 2014

É preciso muito mais que coragem pra esquecer alguém.
É preciso não ter vontade.
É preciso chegar ao fundo que não se vê, só sente a queda.
É preciso ir ao inferno algumas vezes.
E é preciso morrer todos os dias.
Ainda assim não garanto que esquecerá.
Não te garanto nada além de uma força maior que-não-se-sabe de onde vem.
Mas vem.
E quando ela chega, toda dor é ignorada, ainda que sentida.
E quando ela chega, as lágrimas não caem, mas você treme o queixo algumas vezes.
E quando ela chega, você não é mais nada além da sua construção.
Não, não se iluda. Você não chama essa força, você a tem e ela vem quando quer.
Ela te testa.
Essa maldita te testa.
Te garanto que a força vem e se esconde novamente...
E aí...
E aí, socorro!
Você está pronto para sofrer de novo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Procuro qualquer saída para ter um encontro comigo.
Não preciso me convidar pra jantar, nem nada muito formal.
Quero apenas poder me olhar e, talvez, assim enxergar o que agora se esconde.
Quero apenas fazer perguntas loucas, que procuram ter sentido, pra ter certeza que realmente sou eu.
E poder me questionar sobre isso.
Me ignorar, me humilhar, me menosprezar.
Descobrir no fundo, quem sabe me olhando por dentro, o que perdi e nunca me lembrei de procurar.
Quero um encontro comigo e espero que eu aceite.
Quero um encontro comigo pra, quem sabe, me despedir de mim.
Ou me amar pra sempre.
 Não sei até que ponto (ou o ponto) da vida é possível recomeçar.
 O meu recomeço é quase todo começo de semestre ou de ano.
 Pode ser o começo de um cigarro ou a última ponta.
 O meu recomeço é sempre em frente ao precipício ou no quase fim do poço.
 O meu recomeço vai aparecer por mais algumas vezes nessa vida, até que a vida recomece por mim.