sexta-feira, 9 de maio de 2014

Durmo mais do que deveria
Ás vezes a culpa de dormir e deixar a vida passar, pesa
E não durmo quando preciso
Bebo deveras e fumo quase como respiro
Tenho sempre a dor de barriga da bebida quente
Amanheço com hematomas que nunca sei como surgiram
Como quando sinto que não dá mais pra ficar sem
Beijo bocas desconhecidas
Solto um sorriso bobo de canto quando alguém me encanta
Encantos que duram menos que a vida de uma mosca
Morro quase todos os dias e renasço com o abraço de um amigo
Sinto saudade de casa
Da mãe, da vó, da comida
Da gritaria, da confusão compartilhada
Me apaixono raramente por pessoas
Mas por pássaros, todo dia
Ando esquecendo de pintar as unhas ou remover o esmalte gasto
Ainda coloco fogo nas coisas pra ver a tal ação
E a vida ainda continua fria, cheia de acontecimentos
Mas sempre fria
Tenho os desenhos antigos que não sei mais pintar
Tenho a música e a poesia infinita
Essa poesia que não existe aqui
Aqui, só a vida
Agora.

quinta-feira, 6 de março de 2014


Cuiabá, 05 de Março de 2014

Paola,


acorde ouvindo Belchior, cante “A Palo Seco” e grite os “vinte e cinco anos de sonhos”.
Se a melancolia acordar junto, faça um café, trague um cigarro e se lembra do menino  soltando pipa no dia anterior.
Se arrume pra trabalhar e fale até seu corpo sentir que por mais que você ainda tenha o que dizer, é preciso parar. Se lembre que é precioso demais o que sai da boca com um empurrãozinho do coração.
Não espere mais nada além de um abraço no meio do dia e uma garrafa de cerveja à noite.
Procure uma cadeira, faça as velhas piadas idiotas que se tornam repetitivas na boca dos seus amigos e solte uma gargalhada vendo como eles são bobos.
Se lembre novamente do menino soltando pipa e se levante pra dançar.
Sim, eu sei que nenhum menino apareceu soltando pipa, mas ninguém disse que ele não pode existir. E talvez a bagunça de azuis no céu te lembre um dia qualquer em que você sorriu. E talvez o dançar da pipa te lembre um outro dia qualquer em que dançar te fez mais livre do que qualquer decisão tomada. Porque, talvez, também, dançar sozinha não seja tão solitário assim e rodopiar ouvindo uma música ruim seja a única lição que a vida queira dar.
Se lembre do menino, do azul e nunca, nunca pare de dançar.


“vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. “

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Já tive vontade escrever em todas as paredes
Dizendo
Ela não vai voltar
Ela não vai voltar
Ela não vai voltar
If you feel, you paid the price
If you feel, you paid the price
If you feel, you paid the price
Tudo vai ficar bem
Tudo vai ficar bem
Tudo vai
Escrever em todas as partes da casa que você deixou
Dizendo

É tão bom estar aqui e esquecer você
Mas olha aí, você de novo.
Usei a escrita, a vida inteira, como salvação
Na maioria das vezes falei de mim
Da infância feliz e confusa
Da adolescência esquisita
Da falta
Nas velhas folhas amareladas, amassadas

Escrevi por muito tempo
Te conheci, fui feliz e escrevi pra você
Juro nunca ter existido palavras tão lindas

Quando a vida parecia ter renascido
Fiquei muda
Me acostumei ao silêncio até ele começar a gritar

Tentei voltar
Tentei escrever qualquer coisa sobre a vida
Nada mais foi como antes
Nada mais seria
Não é
Tudo vago, tudo assim, sem sentido

Já tiraram meu desenho
E agora minha palavra
Penso o que mais podem tirar
Essa é minha única salvação.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Rasgar o peito, te tirar de mim.
Queria soltar o grito que permanece em silêncio
Jogar coisas na parede
Segurar seu rosto
Te fazer entender
Contra tudo
E a meu favor
Permaneço quieta.